31.12.17

BOAS FESTAS, FELIZ ANO NOVO!



A TODOS OS VISITANTES DO PORTAL DE NISA VOTOS DE UM FELIZ ANO NOVO
Não podia escolher melhor mensagem do que esta que aqui vos deixo na extraordinária interpretação do músico cabo-verdeano, Luís Morais.
Há mais de 45 anos, na Guiné-Bissau, ouvi, pela primeira vez, a música deste notável e versátil intérprete africano, que não mais esqueci pela vida fora.
Bana e a Voz de Cabo Verde, a par de Luís Morais, animavam as noites das tabancas e transmitiam alguma alegria a um povo fustigado pelos horrores da guerra e da separação entre irmãos e famílias. "Boas Festas" é, não apenas uma música de felicitações, mas, sobretudo, um hino de paz, esperança e aproximação entre os filhos de Cabo Verde espalhados pela diáspora.
Luís Morais, tal como Bana, já nos deixou há muito, mas a sua música, intemporal, tem o condão de nos despertar, em cada dia que passa, para a emergência da construção de um mundo melhor. É urgente o amor, como escrevia Daniel Filipe. Boas Festas é que vos desejo com Luís Morais. Ouçam-no!   

30.12.17

CDU apresentou Moção de Solidariedade com Arlindo Consolado Marques

A CDU- Coligação Democrática Unitária apresentou no passado dia 29 de Dezembro, uma Moção na Assembleia Municipal de Nisa, solidarizando-se com Arlindo Consolado Marques, um dos mais destacados defensores do rio Tejo e dos valores ambientais que lhe estão associados. A moção, que a seguir transcrevemos, foi aprovada por unanimidade.
MOÇÃO
A Assembleia Municipal de Nisa, reunida a 29 de dezembro de 2017, manifesta a sua preocupação pelos crescentes focos de poluição no rio Tejo, que põem em causa a sustentabilidade deste território, e exigem do Ministro do Ambiente respostas concretas.
Na sequência das recentes notícias que têm vindo a ser divulgadas na comunicação social, de uma ação interposta contra Arlindo Consolado Marques, por motivo de denúncia da poluição do rio Tejo, esta Assembleia Municipal vem manifestar a sua solidariedade para com o cidadão em causa. Ao divulgar os crimes ambientais que têm vindo a ser cometidos, Arlindo Consolado Marques presta um serviço à sociedade e ao ambiente e dá voz aos que residem nas zonas ribeirinhas afetadas.

Nisa, 29 de dezembro de 2017
CDU - Coligação Democrática Unitária

MONTALVÃO: Natal dos simples (1938)

A perninha do Menino Jesus
Aquele começo de Inverno de 1938 (ou seria 1939?) foi muito chuvoso e frio.
Era o tempo das “vacas magras”... Fins da guerra de Espanha princípios da Segunda Guerra Mundial.
Em Montalvão, aldeia do Alto Alentejo, vivia uma modesta família, composta de pai, mãe e um só filho.
Nas férias de Natal, o filho teve que ir juntar-se aos pais, que andava na fega da azeitona, numa herdade a cerca de seis quilómetros da aldeia.
Porque era necessário começar a trabalhar logo que o Sol nascia e continuar até este astro deixar de dar luz e um pouco de calor ao olival, pais e filho dormiam perto das oliveiras, tendo, à noite, como luz e calor, uma fogueira de rama de oliveira e mato verde e molhado.
O leito onde dormiam era a palha de um largo e desconfortável cabanal.
Faltavam luz e calor; sobravam fumo e frio!
Chegado o dia 24 de Dezembro, véspera de Natal, regressaram a Montalvão, onde chegaram todos molhados e cheios de frio, já noite cerrada. Graças a Deus tinha uma casinha modesta, mas acolhedora, à sua espera.
Para celebrar a noite de Natal, o casal de camponeses tinha guardado algo diferente para a consoada.
Comeram o melhor que puderam e fizeram as filhós e os “borrachos”. Estes eram uns fritos da família das filhós, mas mais apetitosos, pois eram a especialidade da mãe e levavam uns salpicos de açúcar.
O café de 18 também não faltou...
Mas, para o filho, que prenda iria o Menino Jesus pôr no seu sapatinho?
Eram grandes a expectativa e ansiedade do miúdo! Ele esperava uma boa prenda, pois era bem comportado e bom aluno. Esperava que o Menino Jesus não se esquecesse dele...
O seu pai também não se esquecera. Colhera umas bolotas das melhores azinheiras que conhecia e era este fruto que guardava para presentear o filho, fingindo ter sido o Menino Jesus.
Quando a meia-noite chegou, já o sapatinho estava na chaminé há alrgos minutos, à espera do presente!
O pai, chamando o flho, gritou-lhe:
- Olha o Menino Jesus que já chegou à nossa chaminé!
O miúdo correu, ensonado... O pai, entretanto, lançou uma mão cheia de bolotas, chaminé acima. Estas caíram, chaminé abaixo, como prenda do Menino Jesus!!!
A criança olhara para cima e as bolotas caíram todas, tendo uma delas magoado o olho esquerdo do presenteado e ingénuo menino.
Mesmo assim, a criança, com a dor na zona atingida pela bolota, ainda teve tempo de ver a perninha do Menino Jesus, que, entretanto, se apressara a partir para presentear, a tempo e horas, outras crianças que o esperavam, ansiosas também, nas suas chaminés!...
*António Rolo – Dezembro de 2000 in “ Conviver-Reviver” - Boletim nº 7 do Casal Popular da Damaia.
António Rolo é o pseudónimo de António Cardoso Mourato

29.12.17

O NATAL, num poema (quase) inédito de José Gomes Correia

SAUDADE...

É noite de Natal... Lá fora a neve branca
Cai silenciosamente; e todo o povoado
É um canto de luz, um ninho abençoado,
Uma ardente oração a Deus sublime e franca!

Sorrisos de alegria emanam dos casais,
Uma onda venturosa esparge em cada lar
Uma chama de amor, brilhando em cada olhar,
Carícia de Jesus nas almas imortais!...

Só ele o pobre velho, o órfão de carinhos,
Treme de frio; e a fome empresta amargo pranto
Ao seu cansado olhar, que busca em cada canto
O seu saudoso lar de fogos pobrezinhos!

Nascera lá na serra havia muitos anos...
Ali passara sempre a vida descuidada,
Ali crescera e amara a moça mais prendada,
Triste manancial de tantos desenganos!

Um dia, ela morreu... tocavam as trindades...
O vento soluçava e as aves nos beirais
Pareciam chorar... e as vozes dos trigais
Eram sentida prece, um hino de saudades!

Depois... ele partiu! Levava para longe
As mil recordações dos tempos que passaram,
Correra o mundo inteiro e nunca se acabaram
As lágrimas de dor no seu viver de monge!

Sentia-se vélhinho... iria prós oitenta...
Q´ria ver outra vez a terra, onde nascera,
Q´ria sentir ainda o gozo da quimera...
Um frémito de amor o peito lhe acalenta!

Sentia-se já perto... eram as mesmas águas
Correndo mansamente, as mesmas casas velhas,
O mesmo tilintar de guisos das ovelhas,
A mesma campa em flor, jardim das suas mágoas!

Sentia que  revivia a sua mocidade,
O seu corpo de velho à luz sentimental
Do abençoado ninho em noite de Natal,
Á sombra enganadora e vã da realidade!
- José Gomes Correia (poeta nisense)

28.12.17

OPINIÃO: E tu, o que fazes por um Mundo melhor?

A pergunta surgiu de forma inesperada, quase em tom brusco, no meio de uma conversa em que se brincava com a solidariedade de data marcada que toma conta do ar em cada época natalícia. "E tu, o que fazes para tornar o Mundo melhor?" O desafio da minha amiga ressoa todos os anos. E muitas vezes ao longo dele, quando me questiono sobre as marcas deixadas pelas nossas ações. Sobre o impacto das nossas escolhas e sobretudo as consequências imprevisíveis de gestos mínimos.
Não há período como o Natal para desencadear campanhas e angariações de donativos e para apelar ao que há de melhor em nós. Como já dizia o poeta, hoje é dia de ser bom. De pensar nos outros, coitadinhos. E às vezes caímos na tentação de nos tornarmos cínicos perante essa onda de iniciativas e de mensagens de boa vontade. Vendo bem, é melhor a solidariedade com data marcada do que a total ausência dela.
Para quem acha que o Natal é uma fantochada e que nos esquecemos das palavras de união assim que a consoada termina, hoje é um bom dia para desafiar cada um a prolongar o calendário. Há tanta forma de deitar mãos à obra, que não há desculpas para deixar de o fazer. Um exemplo? Lembramo-nos muito dos bombeiros quando tudo arde, mas raramente estamos presentes no resto do ano. Tornar-se sócio de uma associação pode ser a forma mais simples e discreta de ajudar.
Do trabalho associativo ao voluntariado social, da luta por maior justiça laboral ao envolvimento em causas ambientais, da literatura à sátira, é enorme a diversidade de contributos que cada um pode dar. Não há nisto nada de lamechas ou caritativo, apenas a evidência de que viver em sociedade só pode ser isto: acreditar que todos temos responsabilidades e não nos eximirmos delas. Cada um com o seu estilo, a sua personalidade e o seu talento.
A multiplicação de ações e causas instantâneas nas redes, associada a um efeito de descrédito provocado por escândalos em torno de instituições sociais, contribui para uma reação de rejeição e desmobilização. Acabamos muitas vezes mais preocupados em criticar e avaliar quem faz do que a questionar o que fazemos. Qual o nosso esforço por aperfeiçoar o Mundo, nas várias áreas em que nos movemos. Só aquilo que fazemos nos dá a medida para podermos contestar e exigir mais.

Inês Cardoso in "Jornal de Notícias" - 26/12/2017

NISA: Sessão da Assembleia Municipal já tem Ordem de Trabalhos

A sessão ordinária da Assembleia Municipal de Nisa marcada para o dia 29 de Dezembro já tem Ordem de Trabalhos, conforme o documento que se anexa.
A OT foi colocada no site do Município, ontem, dia 27 de Dezembro, dois dias antes da realização da reunião, ainda a tempo de os munícipes tomarem conhecimento de tão importante evento.
A OT vem assinada e com data de 22 de Dezembro, pelo que, das duas uma: ou alguém se esqueceu de proceder à divulgação da sessão, ou, então, considerou que tal divulgação, a tempo e horas - para ter efeitos legais - era desnecessária. Ainda assim a nossa lembrança e reparo surtiu imediato efeito.
A propósito do que anteriormente escrevemos sobre este tão candente tema (a importância das sessões do órgão fiscalizador do município) tivemos conhecimento da iniciativa que um grupo de cidadãos de Abrantes tomou ao lançar uma Petição Pública para que as sessões da Assembleia Municipal do concelho abrantino sejam realmente PÚBLICAS, isto é, que se realizem a horas em que o público (os eleitores e munícipes) possam assistir e participar. Ou seja, voltar ao tempo antigo (lembrar que as sessões deste órgão deliberativo, em Nisa e na generalidade do país, se realizavam à noite) pelo menos nalgumas sessões.
Ideia semelhante, mas a nível do executivo, teve o cabeça de lista (e vereador) do PS na Câmara de Castelo de Vide, Tiago Malato, ao propor que algumas reuniões tivessem lugar em horário a que o público(os munícipes e eleitores) pudessem assistir e participar.
A meu ver - e eu, confesso, vejo mal...- esta seria, também, uma ideia e solução, a implementar em Nisa, para dar, afinal, algum sentido e coerência ao ponto da Ordem de Trabalhos designado por "Intervenção de Munícipes".
Se grande parte deles estão a trabalhar enquanto decorrem as sessões, como podem intervir?
Intervêm os "deputados municipais" com o argumento de que também são munícipes, esquecendo-se que têm um ponto na OT "Período de Antes da Ordem do Dia" onde podem (e devem, para isso foram eleitos) apresentar propostas sobre problemas e carências do concelho.
Mas isso é capaz de ser uma trabalheira e em fim de semana não dá muito jeito...
Mário Mendes

27.12.17

O Natal visto pelos poetas do concelho

Do São Martinho ao Natal
São Martinho já passou
Já vem aí o Natal
O tempo nunca parou
O tempo é sempre igual

Anda e foge, é mesmo assim
E ninguém o pode deter
São tempos alegres para mim
De manhã, ao entardecer

Aproxima-se o Natal
Sempre Iguais sempre diferentes
Num lar, qual ninho de pardal
É o conforto das gentes

Toda a Família está à mesa
Numa santa comunhão
Não há outra tal beleza
Todos em comum oração

Oh que bela consoada
Na aldeia mais remota
Nessa fria orvalhada
Que por vezes é molhada
Fora da nossa porta

Vindo todos à lareira
Rindo, fazendo chacota
Transpondo a soleira
Vindo todos para nossa beira
E produtos da nossa horta

Na Damaia ou Montalvão
Celebremos em igual
Abrindo o coração
Em palácio ou telha vã
Bendito seja o Natal


António Mourato

Financiamento dos partidos aprovado em segredo, anonimamente “e sem deixar rasto”

Foto: Rodrigo Gatinho / Portugal.gov.pt
As alterações aprovadas pelo Parlamento, relativas ao financiamento dos partidos, foram feitas de forma não oficial e sem deixar rasto.
Segundo revela esta quarta-feira o jornal Público, o grupo de trabalho que aprovou as alterações à lei do financiamento partidário – com as quais os partidos políticos deixam de ter limites à angariação de fundos e podem pedir a devolução total do IVA sobre todas as despesas – funcionou sempre à porta fechada.
Além disso, não há atas das reuniões, ou registo da audição ao presidente do Tribunal Constitucional. Em vez disso, num email trocados entre os oito deputados que prepararam o assunto, o nome dos partidos que apresentaram propostas de alteração é substituído pelas letras A, B e C.
Por isso, divulga o diário, as alterações aprovadas pelo Parlamento no dia 21 deste mês, foram feitas “sem deixar rasto”.
O texto, que esteve em discussão na Assembleia da República durante os últimos nove meses, depois de o Tribunal Constitucional ter levantado questões, foi aprovado então na última quinta-feira, com o voto favorável do PS, PSD, PEV e Bloco, merecendo o voto contra do CDS-PP e do PAN.
Apesar de a discussão ter começado através de um grupo de trabalho “informal” que pretendia responder à exigência do TC de alterações ao modelo de fiscalização, no site do Parlamento, esse mesmo grupo aparece como “formal”.
O jornal Público tentou ainda contactar os partidos de forma a descobrir que partido fez cada uma das propostas – uma vez que aparecem apenas identificadas como proposta A, B e C, mas não obteve resposta.
A Associação Transparência e Integridade já teceu duras críticas a esta prática, considerando que se trata de um conluio partidário para “aprovar pela calada um conjunto de benesses privadas”, denuncia o presidente da Associação, João Paulo Batalha, à TSF.
Dessa forma, João Paulo Batalha apela a Marcelo Rebelo de Sousa – que estará a analisar a proposta de alteração – que vete o diploma de alteração da lei de financiamento dos partidos.
Por sua vez, José Silvano, deputado do PSD que presidiu ao grupo de trabalho, justifica a ausência de registos dos trabalhos com o facto de o grupo ser informal. Explica que as propostas eram feitas de forma oral e sem votação.
Na proposta de alteração ao financiamento partidário, mantêm-se os limites de donativos individuais. O Diário de Notícias conta que “os donativos de natureza pecuniária feitos por pessoas singulares identificadas estão sujeitos ao limite anual de 25 vezes o valor do IAS por doador e são obrigatoriamente titulados por cheque ou transferência bancária”, estabelece a Lei n.º 19/2003, de 20 de junho. Mantém-se a necessidade destes donativos por cheques e transferências bancárias serem “devidamente identificados”.
Presidente da República vai analisar alterações ao financiamento partidário esta noite
Questionado pelos jornalistas durante um jantar de solidariedade organizado no âmbito do projeto Refood, ontem em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa disse que o diploma deu entrada no Palácio de Belém na sexta-feira ao fim da tarde e que os serviços jurídicos “estão a ver”. “Mas eu só vou olhar para o texto já mais à noitinha”, disse.
O Presidente da República sublinhou que “havia uma alteração que era preciso fazer, fundamental, que era uma alteração de fundo pedida pelo Tribunal Constitucional para cumprir a Constituição na fiscalização das contas”.
“Essa era a grande alteração de fundo. Depois, se há mais algumas alterações de pormenor, eu vou ver”, respondeu. Em declarações à SIC sobre o mesmo tema, no final do jantar, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado sobre se admite suscitar a fiscalização da constitucionalidade do diploma, respondendo que ainda não analisou o texto.
“Não admito nada, não analisei ainda“, disse.
Há mais de um ano que o presidente do Tribunal Constitucional solicitou ao parlamento uma alteração no modelo de fiscalização para introduzir uma instância de recurso das decisões tomadas.
Assim, a Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) passa a ser a responsável em primeira instância pela fiscalização das contas com a competência para aplicar as coimas e sanções.
Se os partidos discordarem, podem recorrer, com efeitos suspensivos, da decisão da ECFP, para o plenário do Tribunal Constitucional.
No debate em plenário, o CDS-PP acusou os partidos proponentes de terem avançado com alterações ao financiamento de forma “discreta” e exigiu “transparência” no parlamento.
CF, ZAP // Lusa

Nisa acolhe primeira colheita de sangue de 2018


26.12.17

NISA: Sessão da A.M. no dia 29 ainda sem Ordem de Trabalhos

Para que serve a Assembleia Municipal de Nisa?, perguntei, por diversas vezes nestas páginas, sem obter resposta. Pois bem! A Assembleia Municipal podia servir para muita coisa. Em primeiro lugar para ser, no respeito pela lei, o "órgão fiscalizador do Município". Este, o executivo municipal, fiscaliza-se a si próprio, e a Assembleia com a actual ou anterior composição, limita-se a cumprir calendário, fazendo as reuniões que a lei manda e entreter-se com os "jogos do poder", servindo a "patroa" Câmara e limitando a acção de quem quer cumprir cabalmente o seu mandato. Não sendo "força de pressão" e órgão fiscalizador, a A.M. de Nisa mais não é que um corpo ou órgão amorfo, sem capacidade de iniciativa e de criar uma agenda própria onde pudessem ser discutidos os grandes temas que se prendem com o desenvolvimento do concelho.
Vive a reboque da Câmara, principalmente, da política "obreirista" da sua presidente - um portãozinho aqui, uma estátua ali, umas luzinhas acolá, repressão sobre alguns funcionários, pelo meio - , e, quanto ao desenvolvimento integrado e sustentável do município, nem uma luz, nem uma ideia sequer. Anda tudo ao sabor da "frenética", do que sonha hoje ou do pensa amanhã, para ser feito ontem. Por que fazer "obra" e "obra" que se veja, é a sua filosofia política e ideologia de acção. 
A Assembleia Municipal de Nisa e a maioria PS/PSD que a domina segue o mesmo caminho. Limita-se a obedecer às "ordens" da senhora Câmara e a agendar e publicitar as Ordens de Trabalho das sessões consoante o figurino que o executivo impõe. E até isso faz mal feito...
Basta dizer que, sobre a próxima sessão da A.M. marcada para o dia 29 de Dezembro (sexta-feira), ainda não eram conhecidos, hoje, dia 26, os pontos da Ordem de Trabalhos. Serão dados a conhecer, talvez, na véspera ou horas antes da sessão começar...
E tudo isto é "normal" para uma mesa da A.M. dominada desde há 3 mandatos pelo mesmo partido (PS) que chegou ao cúmulo de aprovar e colocar no site do Município actas com um ano de atraso, mostrando, dessa forma, um completo desrespeito pelos munícipes e eleitores.
A última acta que os munícipes podem consultar no site é a de 30 de Junho de 2017 e apenas colocada há pouco tempo, pois a mesma, juntamente com as de 27 de Fevereiro e 21 de Abril só foram aprovadas na última sessão do órgão antes das eleições, em 27 de Setembro.
Daqui se conclui que a Assembleia Municipal não cumpre, minimamente, as funções para que foi criada, isto é, aquelas que a lei lhe incumbe, entre as quais, a de órgão fiscalizador do executivo.
Mas, isso, é matéria que há muito se conhece e com a qual os eleitos vêm pactuando...
Mário Mendes

NISA: Concerto de Boas Festas da Sociedade Musical Nisense


OPINIÃO: Assaltaram os Correios

Não são apenas as pontuais cartas ao Pai Natal, todo o correio arrisca hoje atrasos ou extravio. A distribuição não é diária, e o serviço piorou a olhos vistos desde que se começou a preparar a privatização dos CTT. Em 2014, o então secretário de Estado do governo PSD/CDS, Sérgio Monteiro, vangloriava-se da operação: "O exemplo que os CTT dão de uma empresa 100% colocada no mercado de capitais é um exemplo que deve inspirar muitos outros grupos empresariais". Os CTT provaram ser uma referência inspiradora para grupos privados. Mas são também um exemplo de má prestação de serviço público e, sobretudo, de um negócio ruinoso para a própria empresa, para o Estado e para o país.
Antes da privatização, o Governo de Passos e Portas garantiu aos futuros acionistas dos CTT dois brindes: a venda exclusiva dos certificados de aforro, e uma licença bancária para transformar a imensa rede dos Correios num banco. A oportunidade não foi desaproveitada e, em dezembro de 2013, 68,5% do capital dos CTT foi disperso em bolsa, tendo como maiores compradores o Goldman Sachs, Deutsche Bank e o Unicredit. Apesar de terem sido proprietários da empresa apenas durante 25 dias de 2013, estes acionistas decidiram para si uma muito choruda distribuição dos lucros desse ano.
Meses depois, os CTT valiam já em bolsa mais 240 milhões em relação ao valor da venda. Um verdadeiro Euromilhões para os bancos e fundos estrangeiros que tinham comprado as ações na primeira fase de privatização. Em 2014, o Governo da Direita vende os restantes 31,5% por menos 343 milhões que o valor de mercado do dia anterior.
Os Correios são uma empresa lucrativa. Já eram muito antes da privatização (500 milhões de lucros entre 2005 e 2013). A diferença é que, agora, esses lucros não estão a ser entregues ao Estado ou reinvestidos na empresa, mas estão a ser apropriados pelos seus acionistas. Em 2012, os lucros foram de 36 milhões, mas 50 milhões foram para os acionistas. Em 2013, de um lucro de 61 milhões, 60 milhões foram distribuídos. No ano seguinte, foram distribuídos 70 dos 78 milhões de lucro. Em 2015, entregaram 71 milhões e o lucro tinha sido 72 milhões. Finalmente, em 2016, pouco tempo antes de a empresa anunciar que iria dispensar 800 trabalhadores, os acionistas ficaram com 74 milhões em dividendos. Acontece que, nesse ano, a empresa tinha lucrado apenas 62 milhões, o que quer dizer que o resto veio das reservas dos CTT. Estão a descapitalizar a empresa.
Os CTT prestam hoje um serviço pior. Há trabalhadores em falta e desrespeito pelos existentes. E, agora, a mesma Administração e os mesmos acionistas que estão a enriquecer com o assalto aos CTT anunciam a necessidade de dispensar mais 800 pessoas. É uma afronta, que só pode ter uma resposta, o resgate dos Correios para a esfera pública de onde nunca deviam ter saído.
Mariana Mortágua in “Jornal de Notícias” – 26/12/2017

25.12.17

ELVAS: CDU analisou gestão municipal

A CDU Elvas realizou  no dia 21 de dezembro, uma conferência de imprensa na qual se pronunciou sobre algumas questões da gestão municipal:
1- Sobre o caso Millennium BCP, a CDU considerou que a deliberação aprovada na Câmara Municipal, pela maioria PS, mostra falta de bom senso e vai ao arrepio do interesse público. Esta deliberação que visa dar inicio aos procedimentos para permitir a construção de um edifício do referido banco, em plena rotunda do tribunal, mesmo em cima do jardim municipal, ocupando o espaço público onde se localiza o estacionamento do mesmo e uma zona verde, não traz, na opinião da CDU, nenhum benefício para o concelho, pois até poderá contribuir com a redução do número de balcões para a redução de postos de emprego, como constitui um aberração urbanística tanto mais grave que estamos numa cidade classificada Património da Humanidade. A CDU está disposta, caso esta pretensão da Câmara vá em frente, a levar o caso até ao órgão fiscalizador da Unesco em Paris.
2- Sobre o Plano e Orçamento do Município para 2018, a CDU manifestou a esperança de ver as questões para as quais alertou a autarquia contempladas neste documento. Entre estas questões está a necessidade urgente de reabilitação do bairro da Boa-Fé, por forma a eliminar o amianto existente nalgumas casas e criar condições de habitabilidade dignas, assim como as obras necessárias para promover o bem estar animal no canil municipal;
3- Sobre a taxa municipal de direito de passagem que a Câmara aprovou, a CDU entende que passando os cidadãos a pagar na sua fatura de telecomunicações essa taxa, é dever da autarquia defender o interesse do concelho e dos munícipes ao exigir das respetivas operadoras que enterrem os cabos em calhas técnicas, pondo fim a situação de caos atual, onde os cabos consubstanciam uma verdadeira poluição visual na paisagem urbana, incluindo no centro histórico de uma cidade Património da Humanidade.
CDU Elvas
Elvas, 21 de dezembro de 2017

Circo Contente-Mente (teatro) em Póvoa e Meadas

Circo Contente-Mente" é o nome da peça que será apresentada no sábado dia 30 de Dezembro (21:30 horas) pelo Grupo de Teatro Amador "Espalharte" no Salão Paroquial em Póvoa e Meadas. 

24.12.17

POESIA POPULAR: Noite de Natal em Amieira

É Natal; tempo em que o frio,
A chuva e a neve vem
A época em que o sol nos dá
menos luz
Foi quando numa cabana nas
palhinhas em Belém
Nasceu o salvador do Mundo:
nasceu Jesus!

Nas lojas de brinquedos há
Burburinho
Todos querem comprar brinquedos afinal
Para porem na lareira no sapatinho
Essas prendas tão cobiçadas do Natal!

Nessa noite há azevias, rabanadas e filhós
E o lume nessa altura dá calor
Os pais com os filhos e os avós
Entoam cânticos.

 João de Matos Rico

VALNOR coloca mais ecopontos ao serviço da população

A VALNOR, com o objetivo de aumentar os níveis de recolha seletiva, atendendo às metas estipulados pelo Plano Estratégico de Resíduos Sólidos Urbanos - PERSU 2020, encontra-se a otimizar o seu serviço, reforçando a rede de recolha seletiva.
A gestão dos resíduos é uma forte preocupação da VALNOR e deve ser uma preocupação de todos os munícipes. Valorizar os resíduos é fundamental ambientalmente, refletindo-se também a nível económico. Afinal, a taxa de resíduos paga pelo munícipe refere-se ao resíduo indiferenciado, não tendo o tratamento dos recicláveis custos para a população.
O próximo ano inicia com mais incentivos à separação dos resíduos. A VALNOR vai reforçar a sua rede de ecopontos, colocando à disposição da população mais 50 ecopontos, que serão distribuídos a partir dos primeiros dias de Janeiro. Quanto à localização dos novos ecopontos, pretende-se privilegiar as zonas onde se constata uma maior necessidade deste tipo de equipamentos, permitindo assim, que cada vez mais o cidadão tenha de fazer um percurso mais curto para depositar os seus resíduos. Prevê-se, ainda, durante 2018, um aumento do número de ecopontos na ordem das 200 unidades.
Em 2017, e até ao momento, a população dos 25 municípios da área de abrangência da VALNOR depositou nos ecopontos, então disponíveis, 5 034.29 toneladas de resíduos recicláveis.
 Nesta época festiva é importante relembrar que os resíduos de papel e cartão devem ser colocados no ecoponto azul, as embalagens de plástico e metal no ecopontos amarelo e as embalagens de vidro devem ser depositadas no ecoponto verde. Apenas com a colaboração de todos será possível contribuir para uma região mais amiga do ambiente.
 Fonte: Valnor

22.12.17

Assembleia Municipal de Sousel aprovou Voto de Protesto por falta de Ortopedista no Hospital de Portalegre

A CDU de Sousel propôs e viu aprovado na Assembleia Municipal, um Voto de Protesto por anomalias no funcionamento do Hospital Distrital de Portalegre. Segue o teor do documento aprovado.
"A CDU apresenta um voto de protesto pelo sucedido nos passados dia 10 e 11 de Novembro de 2017 no Hospital de Portalegre, nomeadamente no Serviço de Urgência, em que o mesmo não contou com nenhum Ortopedista por mais de 48h, tendo obrigado vários doentes a serem transferidos para outras unidades hospitalares, agravando o seu estado de saúde e acarretando incómodos para os utentes e suas famílias.
Como se não bastasse o sucedido nos dias referidos, no passado dia 19 de Novembro o Hospital de Portalegre também não contou com nenhum médico de urgência na especialidade de Ginecologia-Obstetrícia, forçando as grávidas do Distrito de Portalegre a serem desviadas para Évora.
Protestamos com a anormal frequência com que estes acontecimentos têm ocorrido, deixando expresso de forma clara que a AM de Sousel  estará atenta, vigilante e interventiva perante estas faltas de consideração pelo direito inalienável dos habitantes do distrito à sua saúde.
Assim a Assembleia Municipal de Sousel, reunida a 15 de Dezembro de 2017 aprova este voto de protesto, sendo dado conhecimento do mesmo ao Conselho de Administração da ULSNA (Unidade Local de Saúde Norte Alentejano) e que o mesma seja enviado à ARS do Alentejo, Ministério da Saúde e órgãos de comunicação local e regional."

O Natal visto pelos poetas nisenses (6)

Em cada canto do mundo, Belém
Nasceste, aqui, entre nós,
p´ra que pudessem nascer,
erguer, forte, a sua voz,
reafirmar-se, viver:
gorados sonhos de amor,
anseios de liberdade, doridos gritos de paz,
de justiça e de verdade,
libertação do pavor
pavor que tudo desfaz.

Nasceste homem como nós,
Para que pudessem erguer,
O homem, as sua voz,
Quebrar algemas e ser.

Pessoa dignificada
P´los direitos que lhe deste,
Direitos fundamentais.
Foi assim que o fizeste:
Pessoa dignificada,
E não precisa de mais.

Pessoa, homem, menino,
 Não sendo tratado a esmo,
E livre de opressão,
Para agarrar o destino
Antes de mais, por si mesmo,
E nunca por coacção.

O direito de viver,
Que a todo o homem advém,
Com tudo o que importa ter,
Para que, enfim, possa ser,
Ser mais e ir mais além.

Tudo, porém, às avessas,
Neste mundo em confusão:
Ameaças ou promessas,
Conforme as horas e pressas,
Da grande coligação,
Em que os homens são peças,
Manejadas à pressão.

Nasceste, assim, entre nós,
Mas tudo anda ao invés,
Pelo que a nossa voz
Te pede: Vem outra vez.

Mas já estás, afinal,
No meio de nós, aqui.
Assim só será Natal,
Se o homem, sendo leal,
Nascer e viver por ti.
Pe Alfredo Magalhães in “Ainda Natal”

GNR realizou acções de fiscalização sobre espécies protegidas

A Guarda Nacional Republicana, através do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), entre os dias 15 e 20 de dezembro, em todo o território nacional, realizou ações de fiscalização no âmbito da proteção de espécies da vida selvagem com o intuito de prevenir, detetar e reprimir situações de tráfico, exploração, comercialização e detenção de exemplares deste tipo.
Durante a operação, militares dos comandos territoriais, em coordenação com a estrutura SEPNA, fiscalizaram 209 estabelecimentos comerciais, 29 feiras e duas exposições, tendo registado:
·         68 contraordenações;
·         164 aves apreendidas.
Esta operação decorreu no âmbito da Convenção Sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES), que regula o comércio internacional de espécimes das espécies da fauna e da flora selvagens (espécimes vivos de animais e plantas e suas partes e derivados) com base num sistema de licenças e certificados que provam a sua origem legal.
No que diz respeito ao distrito de Portalegre, a GNR registou:
·         Apreensão de 53 aves;
·         Identificou um homem;
·         Elaborados três autos de contraordenação.

21.12.17

NISA: Natal de ontem e de hoje...

Meninos de um outro tempo
Descalços
A saia suja
A blusa com nódoas
As calças com lama
A camisa rasgada

A mãe grita: E agora?
Como vais amanhã
Para a escola?

Lava a roupa
Os filhos já se deitaram
Pendura a roupa
Na corda
Não dorme...
Se chove
Como irão para a escola?

Já é dia
Tira a roupa, ainda molhada
Acorda os filhos
- São horas de Escola!
Bebem o café preto
Com sopas
Que está na tijela.

Vão a caminho
Para a escola
Lá vão
Descalços e gelados
Os meninos sem roupa
A que levam vestida
Ainda molhada...

Lavam-se os trapos à noite
De tanta pobreza que havia
Estendiam-se na corda
Se não chovesse de noite
De manhã o pobre vestia.

Lava-se a saia e a blusa
Meias, não havia...
Ia descalça prá escola
Os pés ficavam gelados
Porque sapatos não tinha.
(De um papel amarelecido pelo tempo retirei estes versos. Classifiquem-nos como entenderem...)
Maria Dinis Pereira

20.12.17

MEMÓRIA: Há 40 anos, outros Natais... (3)

Três histórias de guerra em tempo de paz ou vice-versa...
Estamos a poucos dias da celebração da data festiva que é o nascimento de Jesus Cristo. Tempo de reconciliação entre os homens de boa vontade, de paz e de concórdia. Recordo, aqui, nestas três histórias que podiam ser de Natal, de esperança, paz e fraternidade, três episódios da guerra colonial.  
Recordação de um Homem bom
Conheci o Carlos há muitos anos. Nascera no Pé da Serra e era ali na aldeia, por alturas do Verão e das festas que era costume encontrá-lo, a pretexto de um jogo de futebol, no “estádio” sobranceiro ao povoado. Outras vezes encontrava-o quando vinha a Nisa com a mãe e a irmã, tratar da vida.
Foi, pois, com satisfação que o encontrei, em 1971, na EMEL em Paço de Arcos. Estávamos a tirar a especialidade, eu como “soldado-raso”, ele como cabo-miliciano. Éramos de cursos diferentes e ele no fim do dia recolhia-se até à Amadora, onde, presumo, tinha acolhimento. Não falava muito, o Carlos. As nossas conversas tinham como motivo Nisa e o Pé da Serra, as coisas próprias da juventude.
Terminada a especialidade deixámos de nos ver. Cada um tomou o seu caminho. Eu andei de quartel em quartel até “poisar” nos Adidos, na Calçada da Ajuda. Foram meses infernais, de Fevereiro a Junho de 1972. Tinha sido mobilizado para a Guiné, em rendição individual, e nesses meses vim Nisa, despedir-me da família, umas quantas vezes. Parecia um “calvário” interminável, a repetição de uma despedida que de cada vez se tornava mais dolorosa.
Parti, enfim, rumo a Bissau, ao quartel do Batalhão de Engenharia. Passado pouco tempo encontrei o Carlos. A tropa, o sortilégio da vida militar, o que quer que fosse, juntara-nos na mesma unidade, em África. Era furriel-miliciano na secção de Motores Fixos, que prestava apoio técnico e reparava geradores, alternadores, de toda a Guiné, serviço que, não raras vezes, o levavam aos locais mais inóspitos do território.
Eu tinha outra ocupação e em serviço diferente, motivos por que, no mesmo quartel, não se víamos amiúde.
Após o 25 de Abril, num dia de Maio de 1974, à tardinha, vejo chegar o Carlos num jeep e diz-me: Mário, anda daí, vem comigo!
Estranhei o pedido, àquela hora e respondi-lhe:- Espera, vou buscar a G3!
- Não, não é preciso, não tragas arma!
Montei-me no jeep, íamos a caminho de Bissalanca e rumámos na direcção de Safim. Até aqui ainda estávamos em zona de segurança. Prosseguimos na estrada, perguntei-lhe aonde íamos e ele só me dizia: Espera que já vês!
Eu não estava a ver nada e a ficar cada vez mais inseguro. Passámos Nhacra e cortámos á direita. Já sabia aonde íamos, faltava saber o motivo e tornei a perguntar-lhe:
- Ó Carlos, mas o que é que vamos fazer ao Cumuré, a esta hora?
- Vamos ver uns amigos! – respondeu.
Passámos a porta de armas, ele disse qualquer coisa que não entendi ao oficial de dia e este apontou-lhe para uma caserna no extremo do quartel. Uma caserna com guardas (soldados) à porta, o que estranhei. Depois e para minha surpresa, entendi tudo, o secretismo da viagem, o horário, a guarda da caserna. Só ficou por perceber e o Carlos nunca me deu essa informação, o motivo de não levarmos armas.
Entrámos na caserna e...fiquei a saber que era ali que estavam os elementos da ex-PIDE/DGS. O Carlos perguntou por um nome, apareceu um homem ainda novo, fitou o Carlos e vi naquele olhar tanta coisa: surpresa, gratidão, afecto, amizade.
O Carlos não esquecera o seu conterrâneo e fizera 50 quilómetros para lhe dar uma palavra de conforto, de ânimo, de esperança. É fácil escrever isto, 40 anos depois. Mas não era qualquer pessoa, num contexto de revolução, agitação social e política, e, sobretudo de vingança, que tomaria uma atitude como esta.
O Carlos, entre todas as considerações, valorizou o aspecto humano, de fraternidade e companheirismo e foi abraçar o seu conterrâneo.
Cumprimentei o senhor, não me lembro do nome, o Carlos disse-lhe que era de Nisa e ainda brincámos com algumas das “revelações” que fez, a propósito de ter tido uma namorada em Nisa.
Regressámos a Bissau já noite cerrada. Sem armas, como tínhamos ido. Eu, muito mais tranquilo e um pouco mais informado. Os dias que se seguiram, foram de grande agitação. Aproximava-se o fim da comissão de serviço, o “piriquito” já tinha entrado para o clube da velhice e o pensamento estava em Portugal ou na Metrópole, se preferirem. Eram dias febris, havia comissões para tudo e mais alguma coisa e eu vi-me envolvido numa, a nível da unidade. Esqueci o episódio do Cumuré e passado um mês rumava a Lisboa onde no aeroporto de Figo Maduro me deparei com uma manifestação do MRPP que gritavam a plenos pulmões: “Nem mais um soldado para as Colónias!
Passou-se um ano. Nunca mais vi o Carlos, até que um dia, no Verão de 1975, apareceu em minha casa, em Nisa. Eu tinha casado há pouco tempo e recebi-o com grande satisfação.
Reparei que o Carlos não era o mesmo. O sorriso tinha-se-lhe desvanecido. Estava doente, gravemente doente, mas despojado como era das coisas materiais, descuidara-se consigo próprio. Nunca me falou da doença, mas em jeito de despedida, disse-nos: “Tenho esperança em ver nascer o meu filho!
Viu e ainda conviveu com ele durante dois meses. Depois, apagou-se...
Faleceu a 25 de Dezembro de 1975. Há 42 anos...
Era Natal, um dia como tantos, para nascer e morrer. Eu quero fazer renascer, neste texto, a imagem e a memória de um homem bom, de um grande amigo que “partiu tão cedo desta vida descontente”.
Chamava-se Carlos da Cruz Ribeiro e há muito que repousa, em Paz, num lugar etéreo onde subiu pela vontade do Criador.
Mário Mendes