6.10.13

OPINIÃO: Nisa – 2013: “Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos, pelo mesmo motivo”.

No passado dia 29 de setembro, o povo decidiu, votou e escolheu os eleitos, que irão comandar os destinos do nosso concelho nos próximos quatro anos. 
Parafraseando o grande Eça de Queiroz, que há mais de 100 anos disse “Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos, pelo mesmo motivo”.
E em Nisa, no passado domingo, dia 29 de setembro de 2013, houve essa mudança, pensamos que a bem da higiene pública das estruturas democráticas locais, pela transparência e por uma maior participação cívica.
E agora, no rescaldo destas eleições autárquicas, o momento é reflexivo e de análise dos resultados apurados, por parte de todos o intervenientes, partidos, candidatos e eleitores.
Olhando para os números oficiais que nos são apresentados, e que resultaram deste escrutínio, no concelho de Nisa:
- Primeiro a perda de população efetiva, em quatro anos, são menos 714 eleitores que estavam inscritos nos cadernos eleitorais (ano: 2009 – 7429 eleitores; ano: 2013 – 6715 eleitores);
- Segundo, votaram apenas 4542 (67,64%) eleitores, dos quais 132 são de votos em branco e 126 nulos, totalizando 258 eleitores (5,68%), para a Câmara Municipal, enquanto para a Assembleia Municipal, foram 274 eleitores (6,03%), 136 em branco e 138 nulos. Aqui, mais uma vez, podemos verificar um afastamento implícito no ato do voto, dos cidadãos em relação ao órgão Assembleia Municipal, porque será?
- Terceiro, todos os partidos que concorreram em 2009 e 2013, perderam votos, tanto para a Câmara, como para a Assembleia (em média, 19% a 20% menos votos, entre 2009 e 2013):
- O PCP-PEV teve menos 24,3%; o PSD/CDS *1 menos 14,5%; e por fim o Partido Socialista com menos 11,6% de votos que em 2009, para a Câmara Municipal, mas o cenário não é diferente para a Assembleia Municipal.
Nesta análise não foram comparados os votos do Movimento Independente “Mexer com Nisa”, por só estar a concorrer em 2013. Mas no entanto, podemos salientar a eleição de um membro para a Assembleia Municipal, alcançando melhor resultado que outrora outros partidos (CDS e BE) ditos nacionais alcançaram em Nisa.
Em sentido oposto temos o aumento dos votos branco e nulos, na ordem dos 42%, entre 2009 e 2013, principalmente votos em branco, para a Câmara Municipal com um aumento de 63% (em 2009 – votos em branco 81; em 2013 – votos em branco 132).
E, parando neste último paragrafo, perguntamos, o que despertou ou motivou, estes 132 cidadãos do concelho de Nisa, que em dia de chuva, no aconchego do seu lar, desfrutando do seu descanso semanal, o que os levou a não se absterem, e a deslocarem-se à sua mesa de voto, não usado a caneta, apenas dobrando os três boletins, como fazendo parte de um ritual, e depositando na urna, um voto, o mesmo voto que o sistema não reconhece como válido, apenas para efeitos estatísticos.
Muito se tem falado e escrito, nestes últimos dias, sobre a participação dos cidadãos, nas vida politica, mas como se pode participar, quanto o sistema não é claro e transparente, em termos de leis eleitorais. E os partidos políticos não podem, nem devem de estar fora deste jogo, que é a definição das regras de participação de todos, sem exceção. Por isso, cada vez mais se impõe uma abertura dos partidos à sociedade, de forma a cativar elementos exteriores para o seu seio, para o debate constante e permanente pelo desenvolvimento de uma democracia participativa, viva e ativa.
José Leandro Lopes Semedo

1 * PSD e CDS concorreram separados em 2009 .