13.3.13

OPINIÃO: A terceira vida do Cine Teatro de Nisa

No passado domingo, dia 10 de Março, o Cine Teatro de Nisa voltou à exibição de filmes. Passaram-se dois anos e três meses sobre a projecção do último filme (Dezembro de 2010) e após tão longo “defeso” bem pode dizer-se que a “sala de espectáculos do Norte Alentejano”, iniciou o seu terceiro ciclo de vida.
Do filme pouco ou nada há a dizer. Premiado com os Óscares, “Argo” é um filme vulgar e a sua importância resume-se ao contexto político em que é exibido (a subida de tom das ameaças e provocações norte-americanas ao Irão) e à defesa dos valores do tio Sam e da CIA. Ainda assim e talvez pela novidade, foram muitos os espectadores que afluíram ao Cine Teatro, numa noite fria e de chuva, a provar que os cinéfilos de Nisa e arredores são amantes fiéis da exibição cinematográfica, assim haja espectáculos de qualidade e condições, a preceito.
Estas faltaram no último domingo, primeiro da nova vida do Cine Teatro. Dificuldades de ordem técnica e ausência de condições, mínimas, de comodidade e conforto, numa sala fria, sem aquecimento, puseram os espectadores a “bater o dente” e com os pés enregelados. Foram, afinal, estes os grandes heróis da sessão nocturna, aguentando, estoicamente, as temperaturas adversas e que não são admissíveis numa sala de espectáculos com o nível da do Cine Teatro de Nisa, muito menos, após o edifício ter estado sem actividade regular durante tantos meses.
A Câmara, responsável por esta infra-estrutura cultural não pode furtar-se aos seus deveres para com os munícipes e espectadores. Se há dinheiro para gastos supérfluos e acessórios, tem de haver, custe o que custar para o essencial, neste caso, para suprir com urgência, a falta de ar condicionado e outras.
Estão anunciados, já, novos espectáculos, de teatro e cinema. Nem quero pensar que a Câmara os programou sem ter em conta a necessidade, premente, de resolver estes problemas técnicos essenciais e zelar pela segurança e comodidade dos seus munícipes.
Não estamos nos anos 70. A Câmara fez um grande esforço financeiro, indo ao encontro do desejo dos nisenses. Recuperou a sala de espectáculos de Nisa, dotando-a de excelentes condições, a todos os níveis e seria um crime de lesa-cultura deixar deteriorar equipamentos e estruturas com o estafado argumento da falta de verbas.
Ó povo do meu concelho: não deixes que “matem”, à nascença, esta terceira vida do Cine Teatro da nossa terra.
Mário Mendes