29.5.17

NISA: Memória do Cine Teatro (1)






Quercus quer Portugal mais auto-suficiente e renovável em termos energéticos

29 Maio, Dia Nacional da Energia
A Quercus assinala hoje, 29 de Maio, o Dia Nacional da Energia, sublinhando a importância em apostar na eficiência energética, nas energias renováveis, na produção de eletricidade renovável para autoconsumo e mobilidade elétrica, como forma de diminuir a dependência energética, cumprir as metas estabelecidas de redução de emissões de gases com efeito de estufa e aliviar a carteira dos consumidores.
No mix energético nacional, as renováveis têm tido um peso crescente nos últimos anos, contribuindo para alcançar o propósito do Governo de tornar Portugal um país neutro em emissões de gases com efeito de estufa até 2050. Contudo, a falta de ambição do pacote legislativo aprovado pela Comissão Europeia no final do mês de Novembro de 2016, com metas para 2030 aquém do potencial em áreas vitais como as energias renováveis ou a eficiência energética e sem objetivos nacionais para os Estados-membros, não é coerente com a transição energética para uma economia de baixo carbono, que requer uma percentagem muito mais elevada de energias renováveis (45% em 2030).
Portugal assumiu compromissos de redução de consumo de energia e de incorporação de energias renováveis (nos transportes, produção de eletricidade e aquecimento & arrefecimento). Em 2016, atingiu-se 90% da meta assumida para a produção de eletricidade a partir de renováveis, mas é necessário continuar a trabalhar nesta e nas outras áreas de atuação, nomeadamente na descarbonização do setor dos transportes. O investimento nas energias renováveis deve ser uma prioridade para o país, não só para respeitar os compromissos internacionais assumidos mas porque, a nível nacional, fomenta o crescimento económico e a criação de emprego; a diminuição da dependência energética fóssil externa, com benefícios económicos significativos; e a melhoria da qualidade do ambiente, pela redução das emissões e consequentes benefícios para a saúde pública.
Um primeiro passo - a eficiência
Apostar na eficiência energética é um passo indispensável para atingir os objetivos pretendidos. Evitar desperdícios e utilizar racionalmente a energia deverá ser uma conduta praticada transversalmente pelos cidadãos, indústria e Estado. A promoção de hábitos de consumo mais responsáveis, o investimento em tecnologia e equipamentos de elevada eficiência ou a realização de auditorias energéticas em grandes infraestruturas dos setores público e privado podem resultar, a médio e a longo prazo em contributos significativos.
Produzir é poupar
Portugal é um país com grande potencial para a utilização da energia solar, tendo uma média anual entre as 2200 e as 3000 horas de sol. Porém, em termos de potência instalada, o solar fotovoltaico representa apenas 3,5% do total de eletricidade renovável e a produção de eletricidade solar no ano de 2016 foi apenas de 2,6% do total assegurado por fontes renováveis.
A instalação de painéis fotovoltaicos está a crescer em Portugal e hoje torna-se cada vez mais comum encontrá-los em locais como piscinas, hotéis, áreas de serviço, espaços comerciais, edifícios públicos, entre outros, para além das habitações. Esta evolução foi estimulada, pelo facto de, desde 2015, ser mais fácil para os consumidores (famílias e empresas) produzirem eletricidade e serem, em parte, autossuficientes, evitando consumir energia da rede. Segundo dados oficiais, em dois anos 11 mil clientes domésticos aderiram à medida. A Quercus considera que este número é ainda residual, tendo pouco impacto no desempenho do sistema elétrico e pode ser incrementado.
Mover-se com eletricidade
Durante anos Portugal tentou afirmar-se como um país pioneiro na promoção da mobilidade elétrica. O investimento nesta área começa agora a mostrar resultados: expansão das infraestruturas de carregamento, em cidade e nas autoestradas Porto-Lisboa-Algarve; isenção das tarifas de parqueamento; venda de veículos elétricos ligeiros de passageiros com o apoio do Fundo Ambiental; frotas de operadores de transportes coletivos com autocarros e miniautocarros elétricos.
Quercus aconselha Governo
Por diversas razões ambientais, a Quercus sempre considerou que deve ser dada prioridade à promoção da microgeração elétrica, em vez dos grandes investimentos, nomeadamente em grandes barragens. A produção elétrica por parte dos cidadãos e nos edifícios públicos é igualmente fundamental pois contribui para reduzir a dependência energética em relação ao exterior e às grandes companhias elétricas, tornando mais justa a distribuição dos rendimentos provenientes do setor energético.
A Quercus apela ao Governo que vá mais longe e, que num futuro próximo, melhore as condições para a venda da energia excedentária produzida pelos painéis solares, pois considera que há margem para melhorar os requisitos de acesso à rede e o preço a pagar pela energia aos cidadãos e empresas produtoras, sem custos para os contribuintes.
Em relação à mobilidade elétrica, a Quercus considera que esta poderá e deverá ser uma das soluções para resolver os problemas de qualidade do ar e ruído nos grandes centros urbanos, incluindo-se aqui o incentivo à sua promoção enquanto meio de transporte individual, ao nível das frotas públicas e privadas, no setor do turismo através dos rent-a-car ou da animação turística, sem esquecer o transporte ferroviário, tão desconsiderado nos últimos anos.
Lisboa, 29 de Maio de 2017
A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

Grande Passeio de Cicloturismo do Clube de Campismo de Lisboa


27.5.17

XI Troféu de Remo "Mestre de Avis" em Avis

A Albufeira do Maranhão, em Avis, recebe, nos dias 17 e 18 de junho, o XI Troféu de Remo Mestre de Avis e o Campeonato Regional Sul 2017.
A iniciativa, organizada pela Associação de Remo do Sul e Ilhas e pelo Município de Avis, vai contar com o apoio da Federação Portuguesa de Remo, dos Bombeiros Voluntários Avisenses e do Clube Náutico – Bar e Restaurante.
Nesta XI edição irão marcar presença, no Complexo do Clube Náutico, cerca de três centenas de remadores, de ambos os sexos, em representação de diversos Clubes provenientes de todo o País.
O XI Troféu de Remo Mestre de Avis vai ser disputado, nos dias 17 e 18 de junho de 2017, num conjunto de regatas de remo olímpico, integradas numa competição que decorrerá em jornada dupla, sendo que a primeira tem início no dia 17 (sábado), às 14h00 e a segunda, no dia 18 (domingo), às 9h00. Estarão em prova remadores com idades compreendidas entre os 9 e os 16 anos, incluídos nos escalões de benjamins, infantis, iniciados e juvenis.
O Campeonato Regional Sul, disputado igualmente num conjunto de regatas de remo olímpico, no dia 17 de junho de 2017, será aberto a todos os clubes Nacionais mas, nesta competição, apenas os clubes da região sul pontuam para o Campeonato Regional. Em prova, as categorias de Juniores, Seniores e Veteranos.
As regatas incluídas neste cenário desportivo irão realizar-se em embarcações utilizadas por 1 (skiff) 2, 4 (double-scull e quadri-scull, respetivamente) ou 8 (shell) remadores, que irão percorrer as distâncias de 250, 500, 1000, 1500 e 2000 metros, de acordo com cada tipo de barco, escalão etário e categoria desportiva.
No final, serão agraciados todos os atletas, individual e coletivamente classificados pelo somatório dos pontos alcançados nas duas jornadas, que receberão medalhas, para o primeiro lugar nas provas com 2 ou mais participantes e para os 3 primeiros nas provas com 6 ou mais participantes, e troféus, para os 3 primeiros clubes classificados no Troféu Mestre de Avis e para os 3 primeiros clubes na pontuação Regional Absoluta, em cerimónia a realizar no Clube Náutico, após a jornada da manhã de domingo.
Inscrições disponíveis em: http://provas.fpremo.pt

MONTE CLARO (Nisa): Festas de S. João 2017


26.5.17

CASTELO DE VIDE: Festa da Senhora da Alegria


HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

A selfie
Cartoon de Henrique Monteiro in http://henricartoon.blogs.sapo.pt

SAÚDE: Egas Moniz fez a primeira angiografia cerebral há 90 anos

«Quando em junho de 1927, consegui ver pela primeira vez as artérias do cérebro, através dos ossos do crânio, tive um dos maiores deslumbramentos da minha vida». Estas são as palavras de Egas Moniz que, com emoção recordou, nas suas Confidências de um Investigador Científico, o momento em que realizou a primeira angiografia cerebral.
É unânime que Egas Moniz marcou a história da Medicina Portuguesa, tendo sido o primeiro (e até agora o único) a trazer o Nobel da Medicina para o nosso país, em 1949, graças ao desenvolvimento da leucotomia pré-frontal, procedimento cirúrgico que foi posteriormente abandonado. Talvez menos reconhecido pela comunidade em geral, mas mais unânime e atual entre a comunidade científica é o reconhecimento do seu contributo para a Medicina universal com o desenvolvimento e a realização da primeira angiografia cerebral.
Durante largos anos, Egas Moniz fez inúmeras experiências na tentativa de encontrar uma substância que pudesse ser injetada nas artérias do cérebro de forma a tornar visíveis os vasos cerebrais nas radiografias. A opacidade conseguida com a injeção desses produtos permitiria obter um contraste, detetar tumores cerebrais e assim facilitar o seu tratamento.
Foi em junho de 1927 que Egas Moniz obteve a primeira arteriografia do corpo humano vivo, tornando-se assim o primeiro a conseguir ver os vasos sanguíneos do cérebro no vivo. Nesse mesmo ano, a angiografia cerebral revolucionou a Medicina; hoje, passado quase um século, esta técnica continua a ser amplamente utilizada em todo o mundo.
Tal feito pode não lhe ter valido o prémio da Academia Sueca, mas mereceu uma distinção vinda da Noruega, com a atribuição do Prémio Oslo, em 1945, anos antes do leucotomia e do Nobel. Foi o justo reconhecimento da comunidade científica e um marco importante no percurso daquele que é considerado por muitos como um dos pais da Neurorradiologia.
O que Egas Moniz não previu em 1927, é que a angiografia cerebral viria a ser útil não só no diagnóstico, mas também no tratamento de doenças. De facto, a angiografia cerebral permaneceu como procedimento médico diagnóstico executado por neurorradiologistas em todo o mundo, mas progressivamente foi adaptada para técnica de terapêutica endovascular.
Atualmente, a angiografia cerebral é aplicada na emboliação de aneurismas, de malformações artério-venosas e no tratamento do ACV em fase aguda, permitindo salvar vidas humanas em número cada vez mais significativo, como bem demonstram os estudos e as recomendações dos organismos de saúde mundiais.
Assim se vê também a influência e o contributo de Egas Moniz, volvidos já sessenta e seis anos desde o seu desaparecimento, em 1955. Com a devida distância temporal, torna-se mais fácil perceber o muito que o médico português fez com tão pouco, numa época marcada por condições técnicas. Atualmente, a angiografia cerebral beneficia de equipamentos de Raio-x mais sofisticados, cateteres de melhor qualidade e produtos de contraste menos nocivos e com maior opacificação dos vasos. Mas na base, o procedimento pensado e desenvolvido por Egas Moniz mantém-se, o que faz dele um visionário da Medicina, que merece ser relembrado e homenageado.
Egas Moniz e os 90 anos da angiografia cerebral serão o tema central da primeira edição da Brain Week – Semana do Cérebro e da Neurorradiologia, que decorre entre os dias 31 de maio e 6 de junho.
Artigo de Pedro de Melo Freitas
Secretário geral da Sociedade Portuguesa de Neurorradiologia

NISA: Olhares sobre as janelas da vila


MONTALVÃO: Noite de Fados na Casa do Povo


25.5.17

TRADIÇÕES DE AMIEIRA (1) - A Quinta-Feira da Espiga

A excitação começava na véspera. Havia sempre alguém entre a mocidade, que ia dar uma vista de olhos pelos eucaliptais, para escolher o pau, que no seu entender melhor servia para pôr de pé, na Praça Nuno Álvares. A seguir, juntavam-se (sempre rapazes solteiros) para saber quem havia de entre eles, ir a casa do lavrador, pedir o eucalipto escolhido. É claro que normalmente, esse pedido era atendido. Depois, a rapaziada voltava a reunir e a segunda etapa, constava em saber quem havia de emprestar o carro de bois, que transportaria o “gigante”, até à dita praça.
Cumpridas estas diligências, lá iam eles alegres e bem dispostos. Quando regressavam, pela madrugada fora, em grande algazarra e já munidos do essencial, começava a grande prova de força e jeito, quando ainda antes do nascer do sol, o povo se levantava, havia sempre curiosidade em saber se o mastro estava de pé, se era grosso ou delgado. Passado este grande dispêndio de energias, lá iam todos tomar banho e vestir o fato domingueiro, para irem até à capela do Senhor Salvador do Mundo, situada no campo. Havia que ir matar sardaniscas, para atirar para cima das cachopas quando estas andavam a apanhar a espiga! Isto, enquanto não chegava a hora da missa, altura em que um lavrador da terra, levava até lá o seu rebanho, para que o leite ordenhado ali mesmo, fosse distribuído gratuitamente pelos pobres.
Acabada a missa, todos se reuniam numa alegre e sã camaradagem, juntando os farnéis e todos comendo e bebendo cada qual, aquilo que lhe apetecia.
Agora, quase tudo mudou, o dia, os costumes e este ano, nem o mastro teve a sua ascensão!...
Jorge Pires – in “O Pregão” – 30/5/1994

SOUSEL: GNR detém homem de 54 anos por violência doméstica

O Comando Territorial de Portalegre, através do Posto Territorial de Sousel, deteve, no dia 23 de maio, um homem de 54 anos, por violência doméstica, em Sousel.
No âmbito da investigação foi efetuada uma busca domiciliária tendo sido apreendido:
·         Uma espingarda;
·         Uma caçadeira;
·         Uma pistola de 6,35 mm;
·         Uma espingarda de ar comprimido;
·         74 munições de diversos calibres;
·         229 chumbos de 4,5 mm.
O suspeito foi constituído arguido e sujeito a termo de identidade e residência.

OPINIÃO: A imprensa dos comunicados

Pela primeira vez na história do jornalismo temos jornais a serem publicados sem jornalistas
O futuro da comunicação joga-se na Net, disso ninguém tem dúvidas. Os jornais em papel estão em queda. O hábito de ler o jornal na Net acentua-se. Hoje está na moda todos os organismos, desde empresas, associações e outros possuírem um site onde divulgam o seu trabalho e atividades. Alguns, pelo volume informativo e pela diversidade de material que publicam, até sonham e aspiram a assumirem-se como jornais. Nada mais errado: falta-lhes o distanciamento, a imparcialidade, o poder crítico, entre outros que caracterizam a imprensa. E os pseudojornalistas desses sites vivem nessa ilusão, pavoneiam-se e ufanam-se. Hoje todos comunicam, todos informam, facilidade trazida pelos novos canais de comunicação, como é exemplo a Net.
A crise da imprensa regional, com falta de dinheiro para pagar a jornalistas e a colaboradores, levou os órgãos informativos a publicar e a encher as suas páginas com o material enviado pelos gabinetes de imprensa que entopem completamente os emails dos jornais regionais com textos, fotografias e outros. Material sem ser digerido, sem poder crítico, sem imparcialidade, que só apresenta a versão de umas das partes, que esconde o que é negativo e apresenta o mundo cor-de-rosa e todos felizes. Uma vergonha, haver já jornais regionais que preenchem as suas páginas com o material dos comunicados de imprensa. Ainda assim, melhor isto que publicar as páginas em branco.
Uma coisa é certa e deixa-me triste: os comunicados de imprensa enviados para os jornais e colocados em sites , blogs, faces e outros, marcam cada vez mais a agenda dos media; ou seja, cada vez mais os jornalistas são os assessores de imprensa dessas entidades, basta abrir um jornal como a gazeta e povo da beira, e ver que a maioria dos textos são comunicados de imprensa. Brevemente a profissão de jornalista é extinta, ficando toda a produção jornalística a cargo e sob o domínio dos assessores de imprensa.
Mas há que dar um abanão a esta situação: os jornalistas, os já poucos na imprensa regional, devem repudiar os comunicados de imprensa e ir para o terreno fazer investigação, criticar, levantar problemas, denunciar, doa a quem doer, ou seja, divulgar tudo aquilo que os assessores de imprensa querem esconder e e omitem. Se assim não for, a profissão de jornalista extinguir-se-á. Reinarão os assessores de imprensa, o que será perigosíssimo a nível de informação e formação do público, que fica sob o domínio de uma espécie de propaganda que pode manipular toda a gente, ou seja, o leitor passará apenas a ter acesso aos duvidosos, não isentos, propagandísticos comunicados de imprensa. O leitor só serão informados daquilo que os assessores quiserem. Veja-se o perigo que isto representa, por exemplo, fazendo lembrar a propaganda nazi em que dava um estimulo (texto) para obter uma determinada resposta (reação no leitor. Caminhamos para uma nova época de manipulação das pessoas, que pode ser usado de forma infalível por exemplo em campanhas eleitorais.
Jornais sem jornalistas
Pela primeira vez na história do jornalismo, assistimos, impávidos (pelo menos a Entidade Reguladora para a Comunicação Social), imagine-se, ao aparecimento de jornais sem jornalistas. E perguntam como tal absurdo é possível?
Sim, desde que começaram a chegar os "tão fatídicos" comunicados de imprensa, preteriram o trabalho dos jornalistas, despediram-nos e rescindiram com eles. Publicam os comunicados de imprensa que chegam aos emails, com fotografias e tudo. E, em escassas horas paginam um jornal, sem ir para o terreno, sem gastar um cêntimo em gasóleo, sem pagar a colaboradores e jornalistas. Como é isto possível, perguntam. È verdade!! Os teóricos que se debrucem sobre isto. Onde estão os doutos teóricos da comunicação?
Todos os dias são criados gabinetes de imprensa, que florescem como cogumelos. Aproveitando, como já se disse a fragilidade financeira da imprensa regional. Por um lado, temos esses gabinetes em grande ascensão e, por outro todos os dias, fecham jornais. De modo que brevemente deixaremos de falar em imprensa dos jornais a passaremos a ter a imprensa dos gabinetes de imprensa. Será a ruína e o descalabro da imprensa, tal
Quantos jornalistas e colaboradores ficaram sem trabalho devido a esta situação? Muitos, na imprensa regional. Jornais que agora mantém 1 ou 2 pessoas na redação, que recebe o material, pagina e faz o jornal, com uma rapidez nunca dantes vista.
Mas o que está em questão é o aproveitamento que os gabinetes de imprensa fizeram da crise dos jornais. Estes caem como patinhos. Teriam outra solução? Claro que jornais regionais sérios (com algum poder financeiro, diga-se) como o Jornal do Fundão não reproduzem os comunicados de imprensa, reduzem-nos a breves ou diminuem-lhes a importância, cientes da sua falta de poder crítico e apresentar tudo bem e cor-de-rosa.
Editorial - Paulo Jorge F. Marques - 20/5/2017
Post-Scriptum1 - A página de facebook do Município de Nisa "noticia" a Feira do Queijo de Tolosa não como uma iniciativa organizada pela Junta de Freguesia com o apoio da Câmara, construindo um "texto" em que o evento gira à volta da presidente da Câmara, convidada para o efeito, menosprezando, melhor dizendo apagando, totalmente o trabalho da entidade organizadora. O resultado deste exercício de mera propaganda são 52 fotos da edil vestida de azul, num total de 64 reproduzidas pela página de facebuque. O que leva, inevitavelmente, à pergunta: Houve uma Feira do Queijo em Tolosa (como existe, aliás, desde há muitos anos) ou tratou-se, simplesmente, de uma passagem de modelos da edil?
Felizmente, o semanário "Alto Alentejo", ainda que dando um tratamento desmesurado à edil (não é técnica nem produtora de queijos) teve o bom senso de destacar, em fotos, os principais "actores" do evento: os produtores de queijo.
Post-Scriptum 2- A Câmara anuncia o lançamento de um livro, na próxima Feira do Livro, sendo um dos autores, o presidente da Assembleia Municipal de Nisa. Já é discutível que o próprio eleito aproveite uma iniciativa do município para "vender" um produto de que é co-autor, mas não ponho nisto muita ênfase. Dou de barato e sem custo, que é um cidadão com os mesmos direitos que todos os outros. O que me desgosta e tem a ver com o artigo acima, é que o mesmo seja apresentado no programa como o Autor do livro, quando é, apenas, um dos autores. E era nessa qualidade de co-autor que devia ser apresentado. Mais nada.
Mário Mendes

Geopark Naturtejo com Exposição nas Grutas da Moeda (Batalha)

Exposição “Geopark Naturtejo: A Rocha que nos une”
Data: 8 de Abril a 29 de Outubro
Local: São Mamede (Batalha)
 Exposição “Geopark Naturtejo: A Rocha que nos une”, está a decorrer até ao dia 29 de Outubro nas Grutas da Moeda (S. Mamede).
Com esta iniciativa as Grutas da Moeda e o Geopark Naturtejo, Geopark Mundial da UNESCO pretendem reforçar a sua parceria de aproximação destas duas regiões do Centro de Portugal, ricas em património natural, cultural, religioso, acreditando que a promoção de um dos mais belos e naturais territórios nacionais será uma mais-valia para quem visita as Grutas da Moeda, o concelho da Batalha, e o Santuário de Fátima, especialmente neste ano de Comemoração do Centenário das Aparições.
Porque também em 2017 se celebra o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento, as Grutas da Moeda e o Geopark Naturtejo, ambos Parceiros do Roteiro de Minas e Pontos de Interesse Geológico e Mineiro de Portugal, pretendem demonstrar-se enquanto destinos turísticos sustentáveis de qualidade, que apostam na inovação e diferenciação.

Quercus alerta para perigos da exploração mineira a céu aberto na Serra da Argemela

 Rio Zêzere, Turismo e Cerejas do Fundão podem ser afetados
O projeto de exploração e tratamento de depósitos de minerais a céu aberto de lítio, tantalo, nióbio, volfrâmio, rubídio, cobre, chumbo, zinco, ouro, prata, césio, escândio e pirites, abrange uma área de 403 hectares, situada na união de freguesias da Coutada e Barco, no concelho da Covilhã, e nas freguesias de Silvares e Lavacolhos, no concelho do Fundão.
Esta eventual exploração situa-se a poucas centenas de metros da margem do rio Zêzere e de várias povoações, e, caso avançasse, teria um impacte muito significativo no ambiente e na qualidade de vida das populações envolventes, existindo um risco muito elevado de contaminação das águas do rio Zêzere, dos solos, da paisagem e do ar.
A Quercus lembra que este impacte seria cumulativo com outras fontes de poluição já existentes na zona, como o complexo de Minas da Pampilhosa da Serra que tem um passivo ambiental de várias décadas, e que continua por resolver. Estes impactes seriam muito significativos no rio Zêzere, que abastece milhões de cidadãos com água para consumo, no ecossistema da Serra da Argemela, no ecossistema ribeirinho e nas populações que vivem na envolvente da área.

Dado o método de exploração previsto (a céu aberto) e o regime de ventos nesta zona de montanha, a dispersão de poeiras decorrentes da exploração dos minérios poderá chegar a dezenas de quilómetros de distância do local e poderá afetar não só a qualidade do ar, mas também a agricultura da zona (Cova da Beira), a saúde das populações e o turismo. Na evolvente da eventual exploração existe um castro e mais de 800 residentes das aldeias do Barco e Coutada.
As populações, autarcas e vários empresários do sector do turismo e agricultura estão contra este projeto, pois têm sido investidos na zona vários milhões de euros (em investimentos privados e fundos comunitários), que são postos em causa com este projeto. Estes cidadãos que se sentem afetados e prejudicados com a possibilidade de avanço da exploração mineira, criaram uma plataforma de defesa da Serra da Argemela, à qual a QUERCUS aderiu.
 A Quercus irá colaborar com o movimento de contestação à exploração mineira na Serra de Argemela e usará todos os seus meios para travar este projeto que coloca em causa o desenvolvimento sustentado desta região, o ambiente e a saúde das populações.
A Direção do Núcleo Regional de Castelo Branco da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

RETRATOS DE NISA: No “Dia das Comadres”, a pesca foi do “compadre” Raquel

O “paraíso” piscatória da Pracana continua a proporcionar a captura de belos exemplares, capazes de fazerem as delícias dos pescadores mais pacientes.
Na 5ª feira, dia 23, Dia das Comadres, as honras da festa foi para o “compadre” Fernando Raquel. Com um dos habituais companheiros destas lides piscatórias dirigiu-se para uma das margens da barragem da Pracana, num sítio bem conhecido e referenciado, algures, ali para os lados da Zimbreira.
Instalados no local e preparados os apetrechos, o Fernando Raquel foi esperando, com uma calma olímpica, pelo momento.
E, talvez adivinhando a hora do almoço, era meio-dia quando o belo exemplar de carpa, que a foto mostra, “picou” o anzol. Depois, foi o habitual – para quem está habituado, a estas circunstâncias – dar linha, não perder a calma e, sobretudo, não ter mais olhos que barriga. Terminada a luta, içado o troféu, ficou a saber-se que pesava nada menos do que 8,450 quilogramas.
“Não é nada do outro mundo!” – dirão alguns. Pois não! Naquelas águas já se pescaram exemplares com o dobro do tamanho e do peso, mas para o Fernando Raquel, foi este o maior exemplar que pescou e do feito quis dar público conhecimento.
Aqui fica a foto e a alegria do pescador, a mostrar que “com pouca coisa se contenta um pobre”. 
In "Jornal de Nisa" nº202 - 1/3/2006

OPINIÃO: O nosso direito ao "não"

"Olá, como é que te chamas? - Desculpa, não te conheço. Estou com os meus amigos. - Vá lá, diz-me só como te chamas. - Não quero mesmo falar, desculpa. - Não? Porquê? - Não quero... - Anda lá, eu sei que queres! - Não, não quero, estou ocupada. - Achas que és boa, é?"
Ser mulher é ter de dizer "não" muitas vezes, porque um "não" raramente basta. Vamos naturalizando estes frequentes encontros, estes diálogos, e acabamos por encontrar as nossas próprias estratégias de defesa. Não dar demasiado nas vistas em certos ambientes, ou ter os amigos por perto para nos safar se a situação complicar. Habituamo-nos a esta insistência desconfortável da mesma forma que a sociedade se habituou a desculpá-la. Porque se estou ali sozinha é porque quero conhecer alguém. Porque se digo que não é porque me quero fazer de difícil. Porque se te olho é porque te quero provocar, e se te provoco é porque quero alguma coisa, mesmo que diga que não.
Já não as sentimos como tal, mas são violações, de diferentes formas, com diferentes graus de agressividade. Do tipo insistente do bar à oferta sexual que nunca pedimos ou desejámos. Do estranho que nos toca ao amigo que nos beija sem que queiramos, ou ao sexo não consentido, mas que até aconteceu sem resistência por qualquer razão, podendo a razão ser uma bebedeira. Conheço os contornos das histórias que encaixam nestas descrições. São as histórias das minhas amigas, e, nalguns casos, também as minhas.
A cultura da violação não vive apenas da imagem agressiva e violenta que o termo convoca. O piropo que não pedimos, o assédio light, a insistência desconfortável, o gesto não consentido partem todos do mesmo princípio. O princípio que o "não" de uma mulher vale menos que a vontade ou desejo de um homem. E que ao homem é dado o direito de expressar essa sua vontade, mesmo que isso signifique ir contra o direito de uma mulher se sentir incomodada, de não querer ser alvo dela.
A igualdade entre homens e mulheres teve importantes avanços nos últimos anos. Mas há direitos que não se conquistam apenas pela via legal, e há preconceitos que permanecem e se atualizam. O direito à igualdade do "não" é um deles. No dia 25 de maio, pelo menos em Lisboa e no Porto, as mulheres sairão à rua para dizer Não à Cultura da Violação. Que sejamos muitas.

Mariana Mortágua in "Jornal de Notícias" - 23/5/2017

24.5.17

NISA: No Rasto da Memória (2004)

A legenda diz quase tudo deste memorável Encontro e Festa de "Artilheiros", em Nisa, comemorando meio século de vida. A foto (original) perdemos-lhe sítio. Esta, tirada da contra-capa de uma das edições do Jornal de Nisa, confirma o registo que então fizemos, no nosso amado (e desamado) quinzenário. Pena que nem todos os "Artilheiros de 1954" continuem entre nós e, sendo assim, a foto é também uma forma de os lembrarmos e de lhes prestar homenagem.

IMPRENSA REGIONAL: "Alto Alentejo" - 24/3/2017


II Jornadas Empresariais de Marvão - 29 de maio a 2 de junho

O Município promove, entre os dias 29 de maio e 2 de junho, a segunda edição das Jornadas Empresariais de Marvão, com o objetivo de promover o empreendedorismo e a atividade empresarial do concelho.
 O primeiro dia, com sessão de abertura agendada para as 15h, é dedicado às Iniciativas Comunitárias e Instrumentos Financeiros de Apoio às PME’s, e conta com a presença de Victor Frutuoso, presidente do Município, Alexandra Alvarez (IAPMEI) e Alexandra Mota (ANJE).
 Na terça-feira, 30 de maio, a partir das 15h, realiza-se, na Casa da Cultura de Marvão, uma sessão dedicada aos “Sistemas de Incentivo às PME’s”, onde serão apresentados os Sistemas de Incentivo ao Empreendedorismo e ao Emprego, os Apoios à Criação do Próprio Emprego, o Concurso de Ideias Inovadoras e a iniciativa “Poliempreende”.
 Carlos Nogueiro (CIMAA), Isabel Abreu (ADER-AL), João Realinho (IEFP), Alexandra Correia (ADRAL) e Artur Romão (IPP), vão estar participar no segundo painel das Jornadas Empresariais.

 No dia seguinte (31 de maio), a partir das 15h, realiza-se, na Train Spot (Beirã), um Workshop dedicado ao Turismo, Animação Turística, Inovação e Tecnologia, dinamizado por Teresa Moreira, Tânia Almeida e Ana Palma, da Turismo do Alentejo, ERT.A Quinta do Vaqueirinho, em São Salvador da Aramenha, recebe, na tarde de 1 de junho (15h), uma sessão dedicada ao Vinho da Talha, onde se vai falar da candidatura a Património da Humanidade, da produção no concelho de Marvão, da sua importância para o Turismo, e do processo de inscrição da vinha na CVRA.
O encerramento das segundas Jornadas Empresariais de Marvão realiza-se, dia 2 de junho, às 15h, no Centro Cultural, Desportivo e Recreativo dos Alvarrões, com o Setor Agroalimentar em destaque. Produção e comercialização de produtos BIO e locais, a certificação de produtos e o potencial hidrográfico da Barragem da Apartadura, vão ser os temas em análise.

23.5.17

MONTALVÃO: Homenagem a António Cardoso Mourato na antiga Escola Primária

No próximo dia 10 de Junho vai realizar-se a Festa/Homenagem ao Dr. António Cardoso Mourato, no âmbito da programação da Associação Vamos à Vila relativa às personalidades que se distinguiram no campo da Salvaguarda do Património Cultural de Montalvão.
O Dr. Cardoso foi um dos compiladores da única monografia de Montalvão, "Montalvão, Elementos para uma monografia desta freguesia do concelho de Nisa", e para além desta obra, efectuou uma importante recolha gravada em Montalvão, Nisa e Póvoa e Meadas, cujo conteúdo interessa a diversas áreas da Cultura, como a Literatura Tradicional, a Linguística e a Antropologia.
É pois de toda a justiça esta Festa/Homenagem ao ilustre Montalvanense.

Quercus alerta para problemas graves no sector da caça em Portugal

Dia 22 de Maio - Dia Internacional da Biodiversidade
O dia 22 de Maio assinala o Dia Internacional da Biodiversidade, que surgiu na sequência da 1ª Convenção sobre a Diversidade Biológica. A biodiversidade ou diversidade biológica refere-se à variedade de organismos no Mundo e às relações complexas entre os seres vivos e entre eles e o ambiente. A rápida destruição dos habitats e a ameaça ou o efetivo desaparecimento de algumas espécies criaram a necessidade urgente de se proteger o meio natural.
A biodiversidade é um bem precioso para o equilíbrio dos ecossistemas naturais e reveste-se de grande importância económica para a humanidade, particularmente ao nível das exigentes necessidades na produção alimentar e no controlo e tratamento de doenças.
Vivemos hoje uma época crítica, em que a perda de biodiversidade ao nível global atingiu valores sem precedentes. Assim, no dia 22 de maio, a Quercus volta a colocar este ponto na ordem do dia, chamando a atenção para a atividade da caça, por todas as implicações que esta tem na conservação da biodiversidade.
A Quercus considera que é imprescindível e urgente que as autoridades competentes tomem medidas mais efetivas de defesa da biodiversidade no setor da caça, um sector onde têm existido muitas palavras e pouca ação, e aproveita este dia para dar a conhecer junto da população alguns problemas graves que é urgente resolver neste sector.
1. Período venatório

A caça está dependente dos ciclos periódicos naturais, pelo que não se podem fixar por períodos tão longos, como um biénio ou um triénio, as espécies cinegéticas a caçar, os efetivos e os locais para abate, quando podem ocorrer alterações imprevistas com grandes implicações naturais, como já aconteceu no passado com os incêndios florestais, secas, etc.
Nesse sentido, a Quercus entende que o calendário venatório deve voltar a ser anual, corrigindo um grave erro da Portaria 147/2011 de 7 de Abril.

2. Caça continua a contaminar com chumbo
Há muito que o chumbo é reconhecido como nefasto para toda a cadeia alimentar e em especial para as aves.
As aves, acabam por ingerir as pequenas esferas de chumbo dos cartuchos usados na caça. Daí resulta a intoxicação conhecida por saturnismo, com efeitos adversos na saúde das aves, podendo levar à sua morte.
Calculando os largos milhões de cartuchos usados anualmente na caça no nosso País, são muitas as toneladas de chumbo que, ano após ano, se vão acumulando nas nossas áreas naturais, com especial impacte nas zonas húmidas.
Estima-se que a utilização de chumbo nas munições provoca anualmente a morte de 2,6 milhões de patos por envenenamento na América do Norte, pelo que a sua utilização na caça às aves aquáticas está proibida em vários países (EUA, França, Espanha).
A Quercus considera que tem sido positiva a proibição da sua utilização, começando de forma gradual pelas zonas húmidas dentro das áreas classificadas sendo, contudo, esta medida claramente insuficiente.
No entanto, a legislação permite continuar a usar munições com chumbo em zonas húmidas na caça a outras espécies que não aves aquáticas e, além disso, permite que perdure a contaminação por chumbo em todas as outras zonas húmidas (não classificadas) e restante território nacional, pese embora o preâmbulo da Portaria assuma expressamente o contrário, e reconheça a grande incidência de saturnismo.
Deste modo, a Quercus defende a interdição imediata e total do uso de chumbo como munição em todo o território nacional, à semelhança de outros países como a Bélgica, Holanda, Dinamarca e Noruega.
3. Lista de espécies cujo abate é permitido

A Quercus considera absolutamente inadmissível e que quatro espécies de patos ameaçados continuem a poder ser abatidos por caçadores.
Os patos são a Frisada (Anas strepera), o Pato-trombeteiro (Anas clypeata), o Zarro–comum (Aythya ferina) e o Zarro-negrinha (Aythya Fuligula).
A Gralha-preta (Corvus coreone), outra espécie que pode ser caçada, pode ser confundida com espécies protegidas e ameaçadas segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal , tais como o Corvo (Corvus corax) e a Gralha-de-bico-vermelho (Phyrrocorax phyrrocorax), pelo que a Quercus defende assim que esta espécie seja retirada da listagem de espécies cinegéticas.
4. Moratória para defesa da Rola-brava.
A Rola-brava (Streptopelia turtur) é uma espécie migradora que está a desaparecer a um ritmo galopante em Portugal e na Europa.
A situação da espécie na Europa é muito grave, estimando-se que a sua população tenha decrescido mais de 70% nos últimos 20 anos.
Recentemente, a Rola-brava foi incluída na Lista Vermelha de espécies ameaçadas da UICN - União Internacional para a Conservação da Natureza, com o estatuto de “Vulnerável”. Esta inclusão na Lista Vermelha é um reconhecimento internacional e científico da ameaça de extinção que a espécie enfrenta.
Acresce que, na data prevista para a abertura da caça à rola, ainda durante o mês de Agosto, é provável a existência de muitas rolas em nidificação ainda com crias no ninho e, pontualmente, ovos de posturas tardias ou mesmo segundas posturas das aves.
A Quercus defende assim a suspensão da caça a esta espécie em Portugal por um período mínimo de 5 anos, de modo a favorecer a recuperação das respetivas populações selvagens.
5. Sobreposição da caça com períodos de migração e reprodução
A Quercus considera que, enquanto continuar a existir permissão de caça a aves migratórias, deve haver pelo menos um ajuste nos calendários venatórios para se evitarem situações graves de abates de aves em períodos de reprodução e migração.
Apesar das melhorias significativas, continuam a existir sobreposições de 10 dias para algumas espécies como a Rola-comum, o Pombo-torcaz , os Tordos e o Pato-real, violando assim o Dec. Lei n.º 140/99, de 24 de Abril (alterado pelo Dec. Lei n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro) e o calendário do Comité ORNIS, entidade responsável pela aplicação da Diretiva Aves a nível comunitário.

A Quercus entende que a caça à Rola, caso não seja detetada a moratória que defendemos, deve iniciar-se apenas na primeira década de Setembro, enquanto para o Pombo-torcaz e os tordos esta deveria terminar na última década de Janeiro.
Também período de caça aos patos se sobrepõe ao período de reprodução e de migração pré-nupcial destas espécies, pelo que a respetiva caça deveria iniciar-se na primeira década de Outubro e terminar na segunda década de Janeiro.
Em relação à Galinhola (Scolopax rusticola) continua a ocorrer um período de sobreposição de 10 dias com o período migratório pré-nupcial, pelo que a caça a esta espécie deve terminar na primeira década de Janeiro.
6. Número de efetivos para abate
A Quercus entende que existem dados e estudos suficientes sobre algumas espécies que devem fundamentar a tomada de decisão por parte do Estado Português, no que diz respeito ao número de efectivos que podem ser abatidos.
Na dúvida, deve ser aplicado o princípio da precaução.
A título de exemplo refira-se o caso da Narceja-galega (Lymnochryptes minimus), espécie classificada como DD (Informação Insuficiente) no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, e que mantém o mesmo número de indivíduos para abate por dia por caçador (8 aves por dia por jornada de caça), quando na verdade esta espécie é rara.
A Quercus entende que quando existam dúvidas quanto ao efetivo de uma espécie e à sua capacidade de reprodução, deve ser proibida a sua caça.
7. Falta de vigilância e fiscalização ao exercício da atividade venatória.
A falta de vigilância e fiscalização da caça tem levado a numerosas ocorrências de caça furtiva, abate de espécies protegidas e envenenamento de animais selvagens.
A maioria das Zonas de Caça, geridas, quer por organismos privados, quer por organismos públicos, carecem de sistemas eficazes de vigilância e fiscalização.
A Quercus defende alterações à legislação que obriguem as entidades gestoras de Zonas de Caça, incluindo municípios, a terem sistemas de vigilância e fiscalização e também à criação de mecanismos que permita a responsabilização dos responsáveis pelas zonas de caça pelos crimes contra a natureza e contra o património que ocorra no interior das respetivas Zonas de Caça.
8. Problemas sanitários
As populações selvagens de muitas espécies que são exploradas pelo sector cinegético encontram-se com graves problemas sanitários como a febre hemorrágica e a mixomatose nos coelhos ou a tuberculose na caça maior, pelo que é necessário medidas mais eficazes de controlo e minimização por parte de todas as entidades públicas e privadas.
9. Espécies protegidas por lei envenenadas e abatidas a tiro
Todos os anos a Quercus recebe nos seus 3 centros de recuperação de fauna selvagem centenas de animais selvagens abatidos a tiro e ou envenenados em zonas de caça. A Quercus exige mais medidas de sancionamento administrativo, como a suspensão das licenças de caça ou suspensão da zona de caça, para as entidades gestoras que repetidamente continuam a abater espécies protegidas, pois as multas e os tribunais não estão a conseguir diminuir esta problemática.
A Direção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza

22.5.17

A Vila de Alpalhão - Poesia Popular (1953)





A VILA DE ALPALHÃO
Linda vila alentejana
A vila de Alpalhão
Padroeira Nossa Senhora da Graça
Da gentil povoação

Tem fábricas e tem lagares
Tem muitas salsicharias
Tem quatro padarias
Tem pão pra te alimentares
Tem igreja para rezares
A Deus que não engana
Tem a Guarda Republicana
Tem cinco estradas nacionais
Tem a pensão de António Moraes
Linda vila alentejana

Tem Misericórdia e Casa do Povo
Registo Civil e julgado de paz
Já de há muito ali se faz
Muito melhoramento novo
Pois nada faz estorvo
À laboriosa população
Tem a Polícia de Viação
Um justo monumento
Pois tem muito merecimento
A vila de Alpalhão

Tem escolas primárias
Onde se educam as creanças
Tem muitas lembranças
Tem muitas coisas várias
Tem planícies agrárias
Onde a agricultura se abraça
É muito farta de caça
O que lhe dá muita valia
No centro da freguesia
Padroeira Nossa Senhora da Graça

Tem a estação dos correios
Um grande melhoramento
Foi com espírito de conhecimento
Que se fez sem receios
Tem lugar para recreios
Tem toda a distinção
Tem uma feira de Verão
Que é bastante concorrida
Nossa Senhora da Arredonda é a querida
Da gentil povoação.

Versos de Francisco Redondo Carrilho (o conhecido Francisco da Herceada - Casimiro) publicados em 24 de Março de 1953 e "visados pelo Exmo Sr. Presidente da C. M do Crato